sexta-feira, 24 de março de 2017

Podias parar.
Paravas hoje, agora, aqui, sem mais. Paravas e o mundo continuava. Não és substituível, nem és assim tão especial.  Se calhar fazes coisas especiais, mas levas isso contigo para a cova.
Acho bonito, realmente bonito que queiras ser mais, que queiras dar mais.
Mas já te vi a tirar, sei da humanidade que és.
Alguém chora as flores que morreram? Sonhador crente. Não choram. Nunca, nem vão chorar.
As flores, e tudo quanto vive, é belo enquanto está, enquanto é.
Quando deixa de ser, é substituído.
Deita-te descansado esta noite, dorme por mil anos, dorme por mim e por ti. Quando acordares não vais ser de ninguém senão de ti. Não vais ter lágrimas por ti, senão as tuas. Que elas te acalmem e te lavem as feridas, que elas cuidem de ti, de mim e de todos, afoga-te nelas se te pesa respirar, elas que te levem além que estás aquém de ti e de quem foste.
Estou eu aquém por estar do teu lado, aprendemos a partilhar os derrames e os infames, impregnámos no que somos a relação que nos une, e quanto mais nos une mais nos perdemos nela. Estes equilibrios frágeis, são o veneno que tragamos a coração aberto. Antes dormir mil anos, a acordar para chorar das dores de ver.
Podias parar.
Paravas hoje, e hoje no mundo faz-se a eterna primavera que sempre se fez sem ti. Faz-se um dia bom que não te pertence, não se te sabe dar, não te vê por não estares cá.
Paravas hoje,
E nada parava,
Que não fazes parar,
Não cumpres mais que os poderes que tens,
E não tens poderes para seres mais do que és,
Porque não te dás a mais,
Ou por demais te dares,
Linda flor,
Não te choram à partida.

Antes dormir mil anos.

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